Arquitetura Contemporânea

O homem está hoje envolto por tecnologias avançadas que tendem a facilitar sua vida, otimizar tempo e promover encontros, como os potentes celulares, computadores, tablets etc. Porém quando se trata de arquitetura há certa restrição ainda em aceitar modos construtivos mais modernos. Muitas vezes preferem-se formas clássicas de construção, com fachadas que remetem a uma arquitetura mais tradicional. É só olharmos à nossa volta e repararmos qual é a predominância na paisagem urbana.

O que vemos é uma série de repetições de padrões, uma referência construtiva tradicional de diversas origens, como os conhecidos popularmente (e não academicamente) “neocoloniais” e “neoclássicos”, por exemplo. Mas afinal qual forma de arquitetura pode proporcionar maior bem estar aos seus usuários, uma ‘arquitetura contemporânea’ ou uma ‘arquitetura de cópia de estilos passados’?

Primeiramente, é importante destacar que arquitetura contemporânea não é um estilo, mas sim, como diz o próprio nome, um modo de se fazer arquitetura ao nosso tempo, fiel às nossas localidades e suas características físicas, culturais, populacionais e dinâmicas de vida atuais. A arquitetura contemporânea é uma forma de expressar os saberes de se construir e de se viver desse tempo, como também expressará as características de um tempo futuro, permitindo a fixação do nosso legado no espaço.

Desse modo, a arquitetura que atribui maior bem estar ao usuário é aquela que atende às suas necessidades e seus estilos de vida atuais, de certa forma homogênea aos modos de viver de cada geração. É bem verdade que o bem estar é proporcionado por locais em que o usuário se sente bem, independente dos padrões estéticos utilizados, desde que cumpram funções de conforto, acolhida, segurança, saúde, funcionalidade, técnica e estética. Os espaços emitem estímulos de interação através seus elementos compositivos, tais como formas, cores, luzes, texturas, entre outros, os quais proporcionarão em maior ou menor grau sensações e emoções de bem estar ou mal estar. Essas percepções, por sua vez, estão relacionadas à memória e cultura de cada indivíduo e, portanto, irão variar de pessoa a pessoa.

O arquiteto francês Jean Nouvel, o qual tem desenvolvido projetos aliados às novas tecnologias, em entrevista a O Globo em abril de 2016, acredita que “a cidade é um museu. Um livro de pedra, que conta sua história por meio da petrificação dos desejos de diferentes gerações. A tarefa do arquiteto hoje é trabalhar sobre os territórios onde se construiu demasiadamente nas últimas décadas, para transformá-los”. E quando questionado sobre estilos, diz: “Prefiro pensar cada projeto como algo nascido de uma série de fatores, um cruzamento de referências culturais, históricas, de avaliação das possibilidades. (…) Se uma arquitetura não pertence a uma geografia e a uma história, ela é do mundo global, cai de paraquedas.”

Portanto, devemos optar hoje por soluções formais, funcionais, materiais, construtivas e estéticas que traduzam e permitam os modos atuais de viver, ou seja, por uma arquitetura contemporânea, com respeito sim às tradições e características locais, mas de modo a sobrepor nossa camada histórica, a marcar nossa passagem pela ‘cidade museu’.

Compartilhar: