Projeto de casa modular

Uma casa modular, desenvolvida como trabalho de graduação na Universidade de Campinas (Unicamp), pode se tornar um exemplo de moradia de emergência em cidades que correm riscos de desastres naturais. Formada em arquitetura pela instituição, Giovana Feres bolou um projeto que permite que bairros sejam erguidos em apenas 24 horas.

Para desenvolver sua ideia, que será apresentada ao Ministério das Cidades ainda este ano, Giovana passou uma semana no município de São Luiz do Paraitininga, interior de São Paulo, observando de perto a rotina de milhares de pessoas que ficaram desabrigadas depois que uma enchente atingiu a cidade.

O projeto é composto por módulos pré-fabricados de polietileno, um material plástico bastante usado em dutos de ar condicionado. Com 16 metros quadrados de área, as casas podem ser construídas em modelos para abrigar quatro, seis ou oito pessoas. A grande vantagem da proposta está no material, que permite uma construção num período de 24 horas, além da garantia de segurança e conforto térmico e acústico para os usuários. O custo de produção é relativamente baixo. Fabricado em abundância, o polietileno é facilmente encontrado e dispensa o uso de argamassa ou cimento na obra.

– Os módulos possibilitam, inclusive, a implantação de bairros provisórios com toda a infraestrutura necessária para o atendimento básico das vítimas. O abrigo permite que a família fique resguardada até que sua residência seja reconstruída – completa a arquiteta.

Segundo a especialista, o transporte destes abrigos deve ser o mais fácil possível. Não à toa, cada módulo é transportado em uma maleta gigante. Reutilizáveis, têm vida útil de um a dois anos. No interior do módulo, a arquiteta previu camas dobráveis no formato leito – como as utilizadas em trens – e uma bancada para acomodar pia e fogão elétrico. O banheiro é químico, semelhante ao usado na construção civil.

O abrigo emergencial também é sustentável. O piso é feito de material reciclado à base de pneu e a instalação hidráulica e elétrica permite o uso de energia eólica.

– Na verdade, qualquer tipo de energia pode ser utilizada na casa. Vai depender da região – afirma Giovana.