Estilo Retrô ou Vintage

A utilização dos estilos ‘retrô’ e ‘vintage’, na arquitetura e em outras áreas como moda e design, foi e continua a ser tendência, já que nos remetem a memórias afetivas, muitas vezes familiares, e se baseiam em estéticas já testadas e aprovadas. Aqui no escritório, quando me solicitam esse tipo de composição, porém, percebo certa confusão entre os dois termos, os quais são bem diferentes entre si. Enquanto retrô é uma releitura ou recriação do que se utilizava no passado, o vintage é algo realmente dessas épocas e que denota boa qualidade por ter permanecido através do tempo (do inglês: ‘safra de vinhos’).

Em termos gerais, as características do estilo retrô incluem ousadia na composição por se valer de materiais e cores inusitadas sem que o contraste desses elementos choque, antes eles se complementam. Alguns atributos desse estilo em decoração são mobília mais baixa e alongada, móveis com pés longilíneos e pontiagudos (conhecidos como pés-palito), peças cromadas e espelhadas, e cores fortes e variadas (como laranja, azul, lilás, verde, vermelho, rosa, entre outras). Já em arquitetura, pode ser incorporado nas composições de elementos e materiais, reeditados, fazendo alusão a uma determinada época, como os atuais azulejos portugueses os quais são na verdade uma releitura dos modelos usados antigamente, e os elementos vazados de concreto, ou ‘cobogós’, característicos das décadas de 50 e 60 e que hoje são reproduzidos em outros materiais e cores.

As peças retrô costumam ser mais caras que as contemporâneas por incorporar o trabalho de releitura, porém mais acessíveis que as vintages, geralmente encontradas em antiquários e/ou lojas do gênero com alto custo tanto pela idade, estado de conservação e raridade, quanto pelo valor afetivo que possuem. Para a utilização do vintage em arquitetura e interiores, pode-se valer do garimpo de materiais e elementos originais, nos conhecidos museus e cemitérios de azulejos por exemplo, e em decoração com mobiliário e objetos originais de época, tais como louças, eletrodomésticos, luminárias e cristais, entre outros.

Nos espaços contemporâneos, a utilização desses estilos configura uma tentativa de resgatar os valores desses períodos, a fim de atribuir maior personalidade e glamour aos ambientes e edificações. Porém, não se devem forçar determinados estilos simplesmente por modismo, mas sim compreender quais referências são positivas ao usuário final e poderiam então ser incorporadas.

Assim, peças antigas (vintages) ou peças de releitura (retrôs) se combinam com peças atuais para transmitir uma imagem nostálgica de uma individualidade própria. A eficácia da composição, para não deixar os ambientes ultrapassados ou carregados, entretanto, está justamente na sensibilidade do profissional em dosar os estilos em questão e nas preferências do morador/usuário final.

 

 

 

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