Piso Permeável

É de conhecimento geral que as cheias dos rios em épocas de chuva podem configurar graves problemas a uma cidade. Sistemas ineficientes de coleta e deposição de lixo, poluição a beira rio, despejo direto, problemas nos sistemas de drenagem, insuficiência da vazão, ocupações irregulares em áreas de inundações naturais, planejamento urbano inadequado ou ausente, remoção da vegetação ciliar, todos são causas significativas das enchentes em áreas urbanas. Porém uma das principais causas a ser destacada é a impermeabilização do solo.

Com a pavimentação de ruas, calçadas, quintais, estacionamentos abertos e outros, a água que infiltraria no solo escorre encorpando enxurradas em direção aos rios, o que ocasiona não apenas as enchentes, mas também aumento da velocidade da água, erosão do solo, assoreamento dos rios e deslizamentos de terra. Foi o que ocorreu com a cidade de Itatiba em meados de março desse ano. Mas diante desse cenário já consolidado da cidade, como podemos intervir para resolver tais problemas? Será que há algo ao alcance do cidadão comum para minimizar os efeitos das chuvas sobre as cidades?

Antes das grandes intervenções urbanas que possam ser feitas pelo poder público, tais como o desassoreamento e aumento do leito dos rios, construção de barragens ou piscinas de contenção, muros de arrimo ao longo das margens, reforma nos sistemas de drenagem, desocupação das áreas de risco, entre outras, medidas simples podem ter efeitos significativos nesse contexto, já que atuariam na prevenção das enchentes e poderiam ser colocados em prática pelos próprios cidadãos. A instalação de pisos permeáveis e pisos drenantes, a exemplo, em áreas de pátios, quintais, estacionamentos e calçadas são de grande importância nesse contexto. Em relação aos pisos permeáveis, que permitem escoamento da água por entre as junções das peças, há por exemplo os paralelepípedos e os pisos intertravados. Ruas de paralelepípedo vistas muitas vezes como “precárias” ou “de pavimentação ruim” vão de acordo, entretanto, com a questão da permeabilidade, e configuram uma alternativa importante a ser utilizada também pelo poder público. Já os pisos drenantes são aqueles que possuem poros em seu interior os quais permitem a passagem da água, sendo mais indicados à acessibilidade por ser mais uniformes e estáveis, como menos juntas e vãos. Há no mercado uma série de modelos, como o piso drenante de concreto, compostos de poliuretano e pedras, asfalto, materiais reciclados, entre outros.

A instalação de canteiros com vegetação, de “telhados verdes” (coberturas com tratamento adequado para receber jardins), de “paredes verdes” (jardins verticais instalados em paredes) também auxiliam por reterem parte da água de chuva. Recentemente, Toronto no Canadá (2010), França (2015), Recife no Brasil (2015) e Copenhague na Dinamarca (2016) tornaram obrigatório o uso de telhados verdes em novas construções por também diminuírem o consumo de energia e melhorarem a qualidade do ar. Além disso, a instalação de pequenos reservatórios para retenção das águas de chuvas (caixas de retardo), apesar de já constituírem exigência na aprovação de alguns projetos de grande porte junto às municipalidades do estado, poderiam também ser implantados por iniciativa particular em construções menores para minimização dos efeitos da chuva. Se essas medidas são suficientes para evitar enchentes? Bem, isoladamente não, porém se consideradas dentro de um conjunto de ações seguramente irão minimizar os impactos das chuvas e influenciar positivamente o curso dos fenômenos urbanos.

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